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VANESSA DIZ: MÉDICO DE VALENÇA GOSTA DE UM PEPINO


Eu recebi uma ligação e quase de imediato ouço o cliente falar abertamente: “Marise, uma vez você comeu o meu rabo e eu queria dar de novo, você pode me atender daqui a uns 15 minutos?” Eu falei que sim. Ele me pareceu uma pessoa tão aberta e íntima a mim por estar indo direto ao assunto que achei mesmo que já havia sido meu cliente. Não fiz força de identificar a voz porque eu dificilmente os identifico fisicamente, o que dirá a voz. É estranho isso, mas é verdade. Eu não consigo me lembrar do cliente que atendi ontem, as imagens ficam um pouco perdidas e confusas, se misturam ao passado e presente e portanto não lembro nem de 1% deles.
Na semana passada um cliente me ligou se declarando, dizendo que não tinha conseguido me esquecer, que estava apaixonado e que iria voltar para conversarmos. Falou-me que tinha sido atendido na terça, “Lembra? Sou eu, aquele de terça a tarde, com o carro tal.” Impossível de lembrar, ele caracterizou nosso encontro como inesquecível e para mim foi igual a todos os outros, totalmente esquecível.
O Sr. Espontaneidade chegou rápido ao motel e fui atendê-lo. Assim que eu entrei no quarto não me lembrei dele, mas isso não é problema, eu largo a frase rotineira de “Ahhhhh, é você? Puxa, quanto tempo, porque não falou antes?” Mentira minha, mentira das grossas eu não lembrava e não iria lembrar nunca. Tive também a sensação de algo estranho no quarto, aquele sexto sentido ferrado de toda a mulher.

 

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GATA DO MÊS  


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